
O colóquio Europa a preto e branco tem como objectivo
analisar definições contraditórias e complementares daquilo
que a Europa é, foi e deve ser.
Parte-se do pressuposto de que a Europa
não pode ignorar as suas
histórias coloniais a nível nacional e transnacional. Consequentemente,
há que redefinir prioridades e identidades num espaço crescentemente
multicultural, tomando simultaneamente em conta os conflitos
que permeiam as interacções na contemporaneidade que não
podem ser entendidas como um mero “choque de civilizações”,
mas como lugares complexos de convivialidade (Gilroy) ou zonas
de contacto (Pratt), em que a desigualdade de anteriores dependências é prolongada
e contestada.
Estas questões não podem ser dissociadas dos debates
em torno das possibilidades e dos limites da teoria pós-colonial,
como o demonstram os desenvolvimentos mais recentes nos estudos
pós-coloniais,
e o modo como aquela tem sido analisada por disciplinas distintas
com diferentes ênfases
e objectivos.
São estas as questões que pretendemos discutir,
reunindo especialistas de diferentes disciplinas e áreas, localizados
em diferentes países
e continentes, esperando assim contribuir para um debate aprofundado,
numa perspectiva comparada, com o objectivo de testar as possibilidades e
os limites das abordagens pós-coloniais a contextos disciplinares
e geográficos específicos.
- Qual a relevância de conceitos como os de identidade e diferença,
raça e etnicidade ou de hibridez, quando aplicados em contextos
sociais e geográficos, campos disciplinares específicos
e a questões relacionadas com as políticas de representação?
- Como articular os discursos sobre a diferença e a produção
da mesma (Gupta / Ferguson) com o papel dos universais nos direitos
humanos e as reivindicações em torno da cidadania?
- Como analisar as representações da religião
e do secularismo segundo a especificidade dos contextos locais na
Europa contemporânea? Como ler os discursos correspondentes
segundo a especificidade das histórias coloniais?
- Qual o papel de formas emergentes de culturas expressivas na música,
cinema e artes visuais? Como deverão estas ser avaliadas,
quando se consideram outras narrativas em torno da identidade, tal
como as que foram tradicionalmente propostas pela literatura, história
ou antropologia?
- Até que ponto poderão estas tendências contribuir
para se ‘despensar’ a Europa (Stam/ Shohat)?
Convidados:
- Ella Shohat (New York University)
- Paul Gilroy (London School of Economics)
- Robert Stam (New York University)
Comissão Organizadora:
- Manuela Ribeiro Sanches
- João Ferreira Duarte
- Fernando Clara
Secretariado:
- Leonor P. Martins
- Rita Correia
- Rita Maia
Valores da inscrição no colóquio:
- Não Estudantes: 50 €
- Estudantes: -------
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