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Onde, o quê, quem, quando: Algumas notas sobre o conceptualismo
Okwui Enwezor
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| Será que se pode falar de um conceptualismo
africano?
O
termo arte conceptual tem sido tão institucionalizado
que acabou por ocupar uma estreita faixa de território que apenas
abrange discursos emanando de práticas muito específicas.
A maior parte destas práticas estão associadas ou incluídas
nos discursos artísticos do após-guerra na Europa Ocidental
e nos Estados Unidos. Além disso, o significado corrente destas
actividades tem frequentemente surgido da ideia de que o que torna tal
arte conceptual assenta na noção da desmaterialização
do objecto, assim como no facto de se privilegiar a arte baseada na linguagem,
na crítica institucional, no não-visual – e a lenga-lenga
continua por aí adiante. A minha intenção aqui não
é nem repetir essa lenga-lenga nem simplesmente desviar os seus
significados profundamente enraizados, mas antes desenvolvê-la e,
sempre que possível, alargar a sua restrita certeza na história
da arte. Assim, o que significaria, nos tempos que correm, designar como
“conceptualista” alguma coisa que age como, tem a aparência,
e se assemelha a tais práticas, mas cujas preocupações
fundamentais residem noutro lado? Tal é a questão que devemos
pôr-nos em relação àquilo que se designa como
conceptualismo africano.
Tendo em conta as complexas questões de
percepção que constituem os seus princípios organizativos
fundamentais, a arte conceptual, tal como é elaborada nos Estados
Unidos e na Europa Ocidental, pareceria excluir a África. Essa
exclusão, estaria naturalmente de acordo com a já prevalecente
desqualificação do pensamento estético africano na
discussão mais ampla do modernismo. Apesar das diferentes experiências
de modernidade a nível mundial, este conceito histórico
de arte mantém-se firmemente enraizado em diversas actividades
institucionais e epistemológicas. Assim, a ideia de defender a
inclusão de uma área em particular continua a ser incómoda.
Não surgiu ainda uma maneira de remediar tal desatenção,
e este não é o lugar para o fazer.
É crucial que isto fique afirmado desde
já, pois a nossa tarefa como curadores desta exposição
é situar o ponto específico em que a atitude designada como
conceptualismo surgiu pela primeira vez em diferentes áreas
do mundo. Se é certo que a reivindicação de arte
conceptual se fez sempre em referência à sua relação
com a linguagem dominante do modernismo, e se a sua valorização
institucional a definiu como o avanço artístico mais significativo
do século XX depois do cubismo, deve também reconhecer-se
que este passo está profundamente marcado pela oportunidade inicial
que as esculturas africanas ofereceram aos primeiros modernistas para
escaparem à rebuscada mise-en-scène do impressionismo
e da arte europeia clássica. Trata-se de uma velha história,
mas que vale a pena repetir. De facto, como participa a África
neste exercício de revisionismo construtivo no âmago do qual
reside a ideia de vanguarda, com uma história tão claramente
situada na identidade metropolitana da cidade Ocidental ?
Esta pergunta suscita uma série de
outras questões. Por desafio: O que é a arte conceptual
quando aplicada às condições existentes em África
? Assim identificadas, será que essas práticas artísticas
– que poderiam também ser “corroídas”
e “contaminadas” por outros princípios políticos/ideológicos
– iriam alterar a definição, no fundo a manifestação
material e intelectual do que é ou não é arte conceptual
? Constituiria o conceptualismo em África, à semelhança
do seu equivalente euro-norte-americano, uma mudança significativa
no interior do quadro institucional dominante ao ponto de postular uma
nova linguagem ou paradigma ? Se assim for, que rótulos específicos
foram apostos a tal mudança, como foram recebidos e discutidos
? Será que tais rótulos constituem um movimento no qual
participaram muitos artistas ? Em termos simples, será que se pode
falar de arte conceptual em África, ou será apenas um termo
importado como parte de uma empresa neocolonialista da história
de arte modernista ? E, mais importante ainda, ao decidir o que é
conceptual em África, qual o modelo de pensamento, e que métodos
de distinção se devem aplicar para recusar ou incluir obras,
atitudes, acções e propostas ?
Estamos perante questões embaraçosas,
se bem que enfrentá-las seja a chave para um alargamento do lugar
da modernidade africana no âmbito da discussão mais ampla
da arte do século XX. Uma maneira de tratar estas questões
é ignorar todas as regras pré-estabelecidas. Mas há
uma estratégia mais promissora, que consiste em fixar uma correspondência
crítica entre as temporalidades disjuntivas do imaginário
africano e o espaço altamente diferenciado dos reflexos institucionais
e epistemológicos ocidentais na arte moderna.
A arte conceptual, tal como é correntemente
entendida, visou uma reestruturação fundamental da relação
do espectador com o objecto artístico. Primeiro, a sua crítica
dos sistemas de representação e de apresentação
modulou a produção artística no sentido da desmaterialização
do objecto, atribuindo deste modo menos valor aos códigos perceptivos
através dos quais a arte é tradicionalmente recebida. Esta
estratégia procurava desafiar o valor autónomo atribuído
aos objectos, cujo valor é, em troca, associado a maneiras culturais
de ver. Segundo, a arte conceptual privilegiava os sistemas linguísticos,
informativos e filosóficos em relação aos modos de
produção materiais, tornando a comunicação,
a performance, a documentação, o processo, as acções,
e o mundo exterior ao atelier parte da intensa fenomenologia do processo.
Deve acrescentar-se, no entanto, que este entendimento da arte conceptual
– tendo em conta a informação alternativa que desde
então se tornou disponível – é apenas uma explicação
parcial. No entanto, existe uma realidade – hegemónica ou
não – a que não é fácil escapar.
A minha tarefa, assim, consiste em analisar
como é que este entendimento do conceptualismo está relacionado
ou corresponde às questões filosóficas fundamentais
dos sistemas africanos de significação. E descobrimos que
na arte clássica africana o conceptualismo haveria de parecer uma
contradição nos termos. Ainda que muitas culturas africanas
tenham produzido objectos refinados, muitos dos quais permitiram claramente
aos primeiros modernistas ocidentais explorar diferentes formas de representação
através da desmaterialização, vale a pena notar que
os objectos africanos não eram nunca um fim em si mesmo, nem adquiriam
nenhuma forma de autonomia como esculturas através da sua qualidade
de objecto. Ao passo que na arte ocidental, o ciclo da arte se completa
no reino estético da exposição, nas tradições
africanas este final é conseguido através de uma estratégia
de desubliminação que desloca continuamente o objecto e
atribui um maior significado aos códigos não visuais e às
acções performativas, particularmente através de
jogos de palavras e de fórmulas aforísticas. Ao tornar repetidamente
contingente o estatuto do objecto como significante autónomo, a
obra de arte funciona no interior de um sistema fluido de trocas e de
relações entre o objecto, o artista e a audiência.
Na arte africana, há duas coisas a
actuar constantemente: a obra e a ideia da obra. Não existem sistemas
autónomos. Um precisa do outro e vice-versa. A paráfrase
de uma ideia da cultura igbo clarifica esta relação: ao
lado de cada coisa que existe e que pode ser vista, há sempre uma
outra coisa que não se vê, mas que acompanha o objecto. Nesta
base material, a arte africana é centrada no objecto, mas no seu
significado e intento é paradoxalmente anti-objecto e anti-perceptiva,
ligada pelas muitas maneiras de veicular ideias por meio das quais a fala
ou a comunicação verbal são altamente valorizadas.
A obra de um artista como Frédéric Bruly Bouabré
é uma aplicação desta ideia. E se Bouabré
procurou passar ao papel as suas palavras e ideias, existe uma clara motivação
ideológica para o fazer. Se bem que a evidência do objecto
desmaterializado não signifique em si mesmo que o objecto não
é valorizado ou que a cultura de memória visual é
atenuada pelo peso da visão. Não consigo obviamente identificar
uma auto-reflexividade na qual os artistas tenham procurado deliberadamente
retirar a sua obra de funcionar a nível visual. Dizendo-o
de forma mais directa: na arte africana objecto e linguagem interpelam-se
mutuamente.
Enquanto o argumento até agora apresentado
parece situar o conceptualismo na arte clássica africana, a prática
contemporânea é na realidade uma empresa muito mais complexa
e mesmo contraditória. A obra conceptual do grupo senegalês
Laboratoire Agit-Art e dos artistas sul-africanos incluídos nesta
exposição nunca se orientou no sentido de manter uma relação
com os antigos sistemas filosóficos africanos, como no caso de
Bouabré. Sob vários pontos de vista, adoptam as mesmas estratégias
conceptualistas prevalecentes no Ocidente. A razão disto talvez
esteja na sua comum relação com conceitos da modernidade.
Mas a comparação acaba aqui, uma vez que as motivações
que suportam cada uma das estratégias eram diferentes e os resultados
procurados eram largamente divergentes. Malcolm Payne, por exemplo, recorreu
a tácticas conceptualistas – desmaterialização,
trabalho com a linguagem, e um processo a que chama “actos de confusão”
– como resposta às condições políticas
do apartheid. No conceptualismo africano, é crucial reconhecer
o papel da política e das respostas às instituições
políticas pelos artistas que vivem em ditaduras.
Tanto quanto posso dizer, nunca existiu nada
que se possa claramente declarar como um “movimento” conceptual
em África, pelo menos um movimento em que todos estejam de acordo
com os seus parâmetros. Uma investigação prolongada
não forneceu mais do que uns quantos artistas, e no caso do Laboratoire
Agit-Art, um único grupo. De onde se conclui que o conceptualismo
em África é uma prática associada a exemplos dispersos,
isolados e solitários, que nunca floresceu num discurso artístico
plenamente desenvolvido. A par das definições estabelecidas
de conceptualismo tal como foram propagadas pelo eixo euro-norte-americano,
a época de meados dos anos 60 foi muitas vezes “universalmente”
aceite como o seu período áureo e da sua admissão
como valor reconhecido na “arte mundial”. Para os artistas
aqui apresentados, o momento do conceptualismo começa nos primeiros
anos da década de 1970.
Laboratoire Agit-Art: explorando o social
e o político na pós-colónia
A década de 1960 assinalou o momento
da emergência africana, uma década de incrível fermentação
política, social e cultural. No momento em que vários países
lutavam pela independência e a conquistavam após anos de
debilitadora dominação colonial pela Europa, deve dizer-se
que partilhavam um contexto político associado aos processos de
descolonização e de luta contra a influência hegemónica
do Ocidente. Através de toda a África, as urgentes questões
políticas e ideológicas do estado-nação pós-independência,
aceleradas e pressionadas pela rápida urbanização,
deram origem a novos conceitos de identidade e de individualidade. Ligada
a esta complexidade sociopolítica havia uma tensa relação
entre ideias de modernidade e um sentido nacionalista de tradição
e cultura. Num extremo do continente, a noção de modernidade
Pan-Africana, liderada pelo primeiro-ministro Kwame Nkrumah armado do
socialismo científico, tornou-se num contexto pronto a usar a partir
do qual foi proposta a reformulação significativa do africanismo.
No Norte de África, a crise do Canal do Suez lançou o movimento
Pan-Árabe de Gamal Abdel Nasser. O objectivo de Nasser, tal como
o de Nkrumah, era apelar à unidade contra o imperialismo ocidental.
Mas em meados da década de 1970, a
transformação política que varreu as potências
coloniais de África entrou em crise. As perspectivas, e a euforia,
surgidas com a reconstrução social e política dos
países independentes tinham diminuído consideravelmente
com a entrada em cena de uma série de ditaduras e de regimes repressivos.
É no seio desta era conturbada pós-colonial que virá
a emergir a expressão mais significativa de vanguardismo e uma
prática que se poderá rotular de conceptual.
O Laboratoire Agit-Art, com base em Dakar,
foi fundado em 1973-74 por um grupo interdisciplinar de artistas, escritores,
cineastas, performers e músicos. O objectivo do Laboratoire
era transformar a natureza da prática artística de uma sensibilidade
formalista, voltada para o objecto, em práticas baseadas na experimentação
e na agitação, mais processo do que produto, mais efemeridade
do que permanência, mais ideias políticas e sociais do que
estéticas. A participação do público era da
máxima importância para o trabalho do grupo, que privilegiava
os actos comunicativos em relação ao objecto corporizado.
Sem cair na utopia nem na auto-referência, o Laboratoire assentava
as suas actividades na situação sociopolítica imediata.
Quer estivesse ou não consciente de práticas semelhantes
no Ocidente, a posição do Laboratoire sobre a arte com base
no objecto é supremamente coerente com a afirmação
de Lucy Lippard de que a arte conceptual “emergia a partir de duas
direcções: arte como ideia e arte como acção.”
Neste sentido, segundo Ima Ebong, o Laboratoire Agit-Art
procurou
nada mais do que reformular tanto a linguagem da arte senegalesa como
os termos em que a produção artística se verifica
nesse país… o grupo assume aspectos de modernismo ocidental,
mas preocupa-se mais com as ideologias conceptuais da vanguarda do que
com o formalismo modernista. As tácticas de provocação
e de agitação em conformidade com o nome do grupo, fazem
lembrar uma relação com a estética ocidental da
performance anti-arte. Estes artistas trabalham fora do sistema de galerias
e museus apoiados pelo governo, distanciando as suas criações da pintura sobre tela, uma forma artística
sujeita a um sistema profundamente enraízado de controlo de bens.
[1]
Podemos
encontrar um importante percursor do Laboratoire Agit-Art na obra do nigeriano
Fela Anikulapo Kuti, músico, performer, activista político,
e iconocolasta social. A partir de meados da década de 1960, a
incessante crítica de Fela ao estado pós-colonial e o desafio
à corrupta ordem política tornaram-se numa inspiração
exemplar para as estratégias posteriormente adoptadas pelo grupo.
Ao longo da sua carreira, que incluiu a fundação de um partido
político e uma candidatura à presidência em 1979 (antes
de ser impedido pelo regime militar), Fela nunca fez nenhuma distinção
entre a sua música, o seu estilo de vida, e a resistência
política. Adorado pelo público e constantemente censurado
pelo governo, Fela declarou em princípios dos Anos 70 o conjunto
de edifícios que possuía em Lagos – alojamentos, um
clube nocturno, e um estúdio de gravação –
como território independente, que baptizou de República
Kalakuta. Declarou legais todas as actividades (especialmente as que se
relacionavam com drogas e sexo) praticadas na sua república, e
todas as leis nigerianas aplicáveis foram declaradas nulas e sem
efeito.
Em 1977, dois membros do Laboratoire Agit-Art,
El Hadji Sy e Issa Samb (também conhecido como Joe Ouakam), visitaram
a República Kalakuta. Conta Issa que ficaram impressionados com
a coragem e o vanguardismo de Fela, que foi muito para além da
mera reacção estética. [2] O foco posto pelo Laboratoire no carácter
precário, contigente, das actividades, informadas por uma crítica
do poder institucional, “corresponde em grande parte a esta noção
da socialização de uma estética, sob a forma de uma
vanguarda activista que se insere no interior do discurso cultural mais
vasto do Senegal, mas que se recusa a seguir os seus critérios
institucionais e formais.” [3] Esta relação
contextual agressiva com os regimes de legitimação e poder
distingue o Laboratoire de muitos outros grupos africanos do mesmo período
que operavam num quadro proto-modernista orientado para a recuperação
de origens perdidas, mais do que para a problematização
do significado de “origem” na análise mais vasta da
cultura contemporânea no pós-colonialismo.
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Color Test
Screenprint
1973-74
cortesia de Malcom Payne |
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Signos
e Sistemas: Frédéric Bruly Bouabré
Ao passo que as práticas do Laboratoire
Agit-Art se preocupavam com a comunicação através
da “socialização de uma estética” e do
activismo contra o estado pós-colonial, a obra de Frédéric
Bruly Bouabré está inserida nas questões conceptuais
tradicionais da arte africana clássica. O seu interesse nos signos
e sistemas, na linguagem e na simbologia, na subjectivação
mais do que na representação, na visão mais do que
na vista, na classificação, documentação,
listas, codificação, etimologia, nas práticas arquivísticas,
e na experimentação com textos escritos em oposição
à produção de imagens – tudo está relacionado
com a sua cuidada transcrição da cultura oral do seu povo,
o povo Bété.
Bouabré nasceu em 1923 em Zéprégühé,
na Costa do Marfim. Originalmente tradutor e guia de antropólogos
e etnógrafos ocidentais, em 1948 teve uma visão que o convenceu
a abandonar esse trabalho e a dedicar-se à gravação,
transcrição e tradução da cultura oral do
povo Bété em rápida via de extinção.
De acordo com as indicações da sua visão, Bouabré
tomou o nome de Sheik Nadro (Aquele Que Não Esquece) e a sua actividade
mudou completa e permanentemente para a de taxonomista e artista. A linguagem,
para Bouabré, é o supremo instrumento para preservar a memória
e reconstruir a história, servindo também de modelo de representação
através da qual ideias e o dia-a-dia de uma sociedade dinâmica
pode ser explorada e explicada. Este empenhamento em instrumentalizar
a linguagem acabou por levar à sua invenção de um
alfabeto Bété. O seu fim, ao que parece, é tornar
transparentes os significados ocultos em fenómenos obscuros, torná-los
acessíveis como fonte de material para a escrita da história.
Bouabré é um decifrador de sonhos, de imagens que pairam
no limiar da consciência. É igualmente um cosmólogo
de signos e números, um taxonomista de conhecimentos etnográficos,
um anotador da história do seu povo.
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Alfabeto da África Ocidental
( Os Bété )
Lápis de cor e esferográfica s/ cartão
1981-94
cortesia de Frédéric Bruly Bouabré |
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Na
obra de Bouabré, há uma atenção cabalística
à estrutura dos números e palavras, à associação
dos seus múltiplos sentidos e permutações usada na
pesquisa das escuras profundidades do inconsciente. Bouabré propõe
teorias e explicações, elabora mapas, compila índices,
escreve compêndios. Criou um alfabeto pictográfico de mais
de 450 caracteres, dedicados a explorar e a preservar a história
oral do seu povo em vias de desaparecimento. A forma narrativa singular
de Bouabré, composta com base em cartas como as do tarot, combina
frequentemente texto e imagem numa pormenorizada elaboração
de sistemas complexos de comunicação.
No entanto, Bouabré não só
faz imagens numa forma quase naïf, que levou muitos a vê-lo
como uma espécie de místico do mundo africano primitivo,
ou como uma curiosidade sem instrução. Durante quase cinquenta
anos, Bouabré produziu um surpreendente volume de livros sobre
os sistemas clássicos de representação africanos,
como por exemplo Le langage des symboles africains dans les musées
(A Linguagem dos Símbolos Africanos nos Museus, 1975); Le calendrier
du “monde noir” d’origine (Bété)
(O Calendário do “Mundo Negro” de Origem (Bété),
1982), Le musée du visage africain (O Museu do Rosto Africano,
1975), etc. Mas o carácter singular da sua obra reside na sua sensibilidade
aos elementos mais comuns. Por exemplo, ele vê nas folhas de noz
de coca rejeitadas e nas cascas de laranja sinais e significados que podiam
ser transpostos para propostas susceptíveis de leitura visual.
Enquanto arquivista e desconstrucionista, estudou os impressionantes significados
das escarificações nos rostos africanos, revelando-os como
sendo simultaneamente uma forma linguística e um rito iniciático
comunitário.
O Projecto de Linguagem de Rachid Koraïchi
Nascido na Argélia mas vivendo actualmente
no exílio na Tunísia, Rachid Koraïchi tem produzido
uma obra inesgotável na qual utiliza a escrita árabe para
delinear questões políticas urgentes. À semelhança
das formas clássicas da arte islâmica, a arte de Koraïchi
é religiosa, mas contrária ao fundamentalismo ideológico.
Rigorosas e austeras, as suas obras são apresentadas em vastas
folhas de papel, com zonas de texto a preto sobre fundo branco traçado
em faixas verticais e horizontais alternadamente, elevando-se, desviando-se,
recuando, invertendo-se, em rodeios e volteios por toda a página
como uma pauta musical. A estrutura dos trabalhos de Koraïchi é
simultaneamente gráfica e caligráfica, expositiva e absurda,
o que Abdelkebir Khatibi caracterizou como a “metamorfose do visível…
estas transmutações, estas traduções de um
sistema de signos noutro, de uma imagem noutra… um paradigma espacial
orientado para todas as linguagens, desde pictogramas até uma forma
de escrita semelhante a ideogramas, através do grafismo árabe
(aqui elaborado), seja ele legível ou ilegível, seja invertido
ou mesmo errático em todas as direcções… como
que procurando escapar aos limites de imagens desenquadradas.”
No entanto, não deve reduzir-se a arte
de Koraïchi apenas à escrita. O seu investimento nos signos
e símbolos significa igualmente que trabalhou assiduamente na decomposição
da caligrafia, transformando a sua elegância cursiva em códigos
pessoais e em poesia concreta. Viria a verificar-se que com tal decomposição
Koraïchi escreve nas margens da sua própria exposição
psíquica, sublimando as suas preocupações políticas
públicas nos limites da voz individual. O seu programa é
muitas vezes simultaneamente romântico e grandioso, como nos seus
pendões com textos dourados que podem parecer produções
propagandísticas. Podem ser também cáusticos e reflexivos,
vigorosos e combativos, melancólicos e pesarosos, como nas suas
respostas à injustiça política e ao exílio.<
Ao longo de uma carreira que atravessa pelo menos
três décadas, Koraïchi estabeleceu um rigoroso programa
intelectual a partir do qual trabalha simultaneamente no interior e no
exterior dos parâmetros da autoridade institucional. Os seus desenhos
e a sua escrita, simultaneamente líricos e iconocolastas, inspiram-se
nos textos clássicos islâmicos e na obra de poetas e escritores
contemporâneos. A sua atenção à linguagem como
repositório da acção individual e colectiva manifesta-se
na sua adopção tanto da poesia tradicional como da retórica
política subversiva para criticar os regimes repressivos da região.
Koraïchi não é, porém, um herético, do
mesmo modo que não está interessado na desagradável
imagem estereotipada do Islão enquanto fundamentalista e avesso
a novas formas de discurso. Pertence a uma tradição de um
“Islão esclarecido”, que em anos recentes começou
a ganhar força em muitos países islâmicos onde o tema
do humanismo ético islâmico é intensamente debatido.
No entanto, ao depararmos com a obra de Koraïchi
no domínio da arte contemporânea, como poderíamos
resistir a lê-la como motivo decorativo e não como linguagem
? Uma vez que uma escrita exterior à tradição romana
pode confundir-se com elementos decorativos (aquilo a que eu chamaria
o recurso ao signo como caligrafia), é muitas vezes difícil
determinar o exacto lugar de uma arte que funciona no interior da sua
base formal. No contexto desta exposição, por isso, a obra
de Koraïchi é de certo modo um paradoxo. Ela suscita a questão
de saber o que fazer com obras que, se adoptarmos estritamente o critério
das matrizes conceptuais clássicas da Europa e dos Estados Unidos,
simultaneamente compreendem e desenraízam aquele critério.
Isto explica-se pelo facto de que aquilo que pode ser considerado conceptual
na arte islâmica – especialmente na sua relação
com o texto (caligrafia) e a linguagem (discurso) como a base fundamental
tanto da representação como do significado – está
mais em sintonia com a tradição da (em oposição
a rebelião contra) imagem materializada. Mas se o significado do
signo está incluído no texto, na sublimidade da linguagem
mais do que na imagem – particularmente no que diz respeito ao princípio
anicónico islâmico, que sublima a representação
da forma humana em extáticos cânticos religiosos e nas palavras
do Profeta – como poderemos então caracterizar como conceptual
a obra de um artista como Koraïchi, um artista que aparentemente
seguiu esta regra, quando a própria problemática levantada
pelo conceptualismo constitui um insistente programa anarquista votado
à destruição de tal autoridade ? Antes de mais nada,
seria importante compreender que a leitura de obras de artistas como Koraïchi
representa um problema não só no interior deste contexto,
mas também no contexto mais vasto daquele corpo rígido conhecido
como o cânon ocidental.
A tradução de “conceptualismo
puro” no vocabulário redutor da crítica institucional
e nos sistemas linguísticos como a condição processual
para compreender a arte depois da imagem, deve então contender
também com obras como as de Koraïchi. A atitude dele tem sido
desde o princípio tanto pessoal como política, passando
muitas vezes da resistência feroz à poesia comemorativa,
encantatória. Koraïchi tem trabalhado ao longo do tempo com
alguns dos mais brilhantes escritores árabes contemporâneos
da sua geração, incluindo o grande poeta palestiniano Mahmoud
Darwish. Os seus trabalhos com recurso à literatura privilegiam
as delicadas e complexas meditações em relação
ao protesto reactivo. É evidente no entanto que o trabalho de Koraïchi
é realizado segundo os limites de um corpus de arte e escrita que
não só se compara ao cânon ocidental, como também
sem o qual aquilo que chamamos a história do Ocidente não
seria possível.
África do Sul
Até ao fim oficial do apartheid em 1994,
a África do Sul sofreu um sistema de segregação racial
frequentemente imposto por métodos violentos, e viveu durante anos
isolada do resto do mundo. Os trabalhos dos artistas sul-africanos desta
exposição – Willem Boshoff, Malcolm Payne, e Kendell
Geers – devem por isso ser apreciados à luz desta história
singular. Esta análise justifica-se não por fetichizar aquilo
que é óbvio acerca da memória histórica da
África do Sul e do seu isolamento do resto da África, mas
devido à maneira como o trabalho destes artistas criticamente implica
e interroga essa história.
A prática conceptual de Willem Boshoff
é um esforço elaborado dedicado ao estudo da ignorância,
ou seja, a levar ao ponto de dissolução a ideia de que o
mundo se pode conhecer. Preso pelas autoridades sul-africanas por se recusar
a fazer o serviço militar (a obra micrográfica Kleinpen
I, foi realizada na prisão como uma maneira de manter o equilíbrio
mental), Boshoff considera o conhecimento racional como um mecanismo inútil
para assinalar a sua revelação. Definido como um conceptualista
ortodoxo, no sentido de que mantém, na ajustada frase de Gerardo
Mosquera, uma límpida concentração na linguagem,
Boshoff encontra em palavras obscuras e obsoletas uma maneira de construir
um mapa que denega a visão mas permite o conhecimento.
Boshoff compila extensos dicionários e
enciclopédias de nomes, palavras, plantas. A laboriosa precisão
das suas composições, formulações, e acumulações
não funciona pelo excitante do esoterismo, mas pelo reconhecimento
da vastidão do mundo e dos sistemas ideológicos que o circunscrevem.
Paradoxalmente, Boshoff insiste em afirmar que não está
interessado em ensinar: “Escrevo dicionários de palavras
que espero que ninguém compreenda.” [4] A própria invenção
destes dicionários, longe de reanimar o interesse por aquilo que
procuram representar ou revelar, é antes de mais concebido como
um desvio, uma maneira de denegar a persistente determinação
racionalista em conhecer. Mosquera caracterizou este processo como uma
espécie de viagem imaginária: o artista no seu quarto, ruminando,
mastigando, construindo e desconstruindo, calculando, como “encena
as relações entre palavras, significados, e discute a linguagem
e a sua base material e representação. … possuído
pela insónia… navega dicionários, e tenta abrir rotas
através de oceanos de linguagem.” [5] Aqui a linguagem
fica enterrada sob a linguagem, remetendo apenas para si própria.
Mas Boshoff não se contenta em deixar
as coisas como são. Procura outras estratégias para tornar
acessível aquilo que as palavras representam, o modo como o seu
significado semântico pode ser reconstituído. O seu estudo
da linguística e da filosofia de Wittgenstein levou-o a explorar
outras vias de transformar as palavras em signos vibrantes, resultando
em Kykafrikaans (1980), uma obra serial de poesia concreta e
a sua pesquisa mais persistente sobre a natureza das palavras e do modo
como se tornam obsoletas.
Se Boshoff, tal como Bouabré, mantém
uma límpida concentração na linguagem, a obra extremamente
complexa e crítica de Malcolm Payne mantém uma límpida
concentração no político e no subversivo. Aqui, o
político funciona não a um nível literal, mas como
um acto de contaminação. Mais do que responder a um regime
opressivo através do convencional “punho no ar e armas na
mão” do artista revolucionário, Payne lança-se
em actos de subterfúgio penetrando espaços ideológicos:
“sempre recorri à confusão… [como] a única
arma para manter vagamente vivo o meu impulso criativo.” [6] Esta luta para manter a independência
criativa foi tipicamente vista como anarquista. Para o Aquarius Art Festival
de 1973, por exemplo, Payne propôs fazer explodir debaixo da água
uma enorme quantidade de tinta vermelha como parte das festividades que
assinalavam a celebração do Blood River Day (Dia do Rio
de Sangue), durante as quais os afrikaners comemoram a derrota
dos zulus. Segundo Payne, “A ideia era depois matizada de modo a
incluir a ironia extrema: vender a ideia aos organizadores, explicando-lhes
que podiam atingir eles próprios e os seus seguidores uma superior
experiência espiritual e religiosa se o rio corresse vermelho.” [7] Os organizadores rejeitaram a proposta.
De
todas as obras africanas incluídas nesta exposição,
os projectos iniciais de Payne parecem decisivamente conceptuais,
na sua orientação e rejeição da base material
daquilo a que chamava “uma overdose de modernismo Greenbergiano
e da fase final de Caro.” Foi essa a influência sofrida quando
estudante na St. Martin’s School of Art em Londres em 1973. Em parte
devido a esta precoce exposição ao discurso crítico
do conceptualismo ocidental, e ao seu contacto com o trabalho de artistas
como Beuys, das práticas de Art & Language, e de outros,
que buscavam espaços mais vastos para as suas propostas ideacionais,
Payne procurou encontrar maneiras de transpor algumas das suas teorias
para a situação no seu próprio país.
Após o seu regresso à cena artística
da África do Sul ainda sob o encanto de Clement Greenberg, Payne
voltou-se cada vez mais para a performance, usando a capacidade
de resistência como uma metáfora da busca individual para
transcender a fragmentação política e intelectual
imposta pelo apartheid . Payne contava-se entre os primeiros artistas
jovens a explorar os sistemas de representação da individualidade,
e o controlo total do estado sobre a definição dessa individualidade.
A identidade como um intenso lugar de subjectividade tornou-se assim uma
base para resistir. Apropriando-se dos instrumentos de vigilância,
Payne começou a combinar vídeo, projecções
de slides, fotografias, e fac-símiles do seu próprio
corpo e rosto numa prática conceptualmente elaborada, cujo objectivo
consistia em negar o direito final do Estado à atribuição
da identidade. A intensa meditação de Payne sobre a possibilidade
política de subversão lançou as bases de trabalho
para muitos artistas que viriam a debater-se com questões semelhantes
vinte anos mais tarde.
Um desses artistas é Kendell Geers. Seguindo
o exemplo pioneiro de Payne, Geers canalizou a sua sensibilidade provocadora
e sensível para uma arte que actua como um instrumento incendiário
no interior dos sistemas de representação. Se a arte é
actividade, então Geers fez da sua própria existência
um extraordinário vector dessa convergência, apagando completamente
a distinção entre a sua vida e a arte, e por consequência,
entre auto-regulação e administração institucional.
Daí que a arte de Geers seja uma actividade situada não
só no interior do estúdio, mas também no mundo conturbado
de acções e de empenhamento político, social e cultural.
Em 1995, Geers foi convidado para expor os seus trabalhos na Art Gallery
de Joanesburgo, a vitrina institucional, cuja arquitectura clássica
de Edwin Lutyens é uma recordação da detestável
e continuada dominação colonial do país. Em vez de
fazer uma coisa susceptível de ser vista como um objecto ou merecer
consideração como obra de arte, Geers apresentou Tittle
Withheld (Boycott), tendo para tal esvaziado do seu conteúdo
uma sala inteira do museu. Com este ataque à instituição
(e consequentemente, a alguns dos seus colegas artistas), Geers afirmava
que a arte podia recusar e resistir à ideologia da prática
museológica. Assim, a sala aparentemente vazia punha em causa a
difusa voracidade por objectos pós-coloniais produzidos para o
mercado. Como uma amplificação deste debate, Tittle
Withheld (Boycott) devolve-nos às caves do museu, às
suas salas de armazenagem e reservas de obras etnográficas, onde
os objectos artísticos e culturais esperam a hora de serem distribuídos
pela miríade de redes de recontextualização institucional.
É precisamente aquilo que foi retirado e evacuado das paredes da
galeria que é o tema desta intervenção intensamente
consciente.
Afastando-nos da longa relação
que Geers mantém com as tradições da vanguarda modernista
(um exemplo disso foi a decisão de mudar a data do seu nascimento
para Maio de 1968 como um gesto de solidariedade com os estudantes que
lançaram o Verão de desobediência cívica na
Europa), regressamos às suas posições através
do pós-modernismo pela sua clara convergência na questão
da identidade. Untitled (ANC, AVF, AWB, CP, IFP, NP, PAC, SACP) (1993-94),
uma obra cuja génese está directamente associada ao caos
político e à violência que assolaram a África
do Sul nos meses que antecederam as primeiras eleições democráticas
do país, Geers encenou um elaborado conjunto de acções
políticas no seguimento do assassinato de um membro do Partido
Inkatha da Liberdade. Em 19 de Julho de 1993, o dia do crime, Geers, em
defesa dos direitos políticos do indivíduo no interior de
uma cultura política intolerante, decidiu inscrever-se em todos
os partidos oficiais da África do Sul. Como ele disse, deste modo
seria impossível perder. Naturalmente, esta resposta à institucionalização
da política através da filiação partidária
é uma resposta irónica, pois que é a própria
base da filiação que produz o tipo de rígida fetichização
da identidade que continua a afligir este país com a violência.
Ao aderir a todos aqueles partidos – culminando em 7 de Fevereiro
de 1994, quando a ala da extrema-direita do Afrikaner Weerrstandsbeweging
(AWB) lhe concedeu um cartão de membro – Geers procurou não
só reivindicar todas aquelas falsas identidades, como ainda marcá-las
como suspeitas para além de toda a medida.
À medida que formos filtrando o material
que acompanha esta exposição, iremos deparar com novas redes
e conexões, umas familiares, outras obscuras. Deste modo, Global
Conceptualism: Points of Origin terá atingido o seu objectivo
de lançar luz sobre as forças que levaram os artistas a
descobrir um desvio e, de facto, a mudar as regras básicas que
regulam a produção artística e a própria linguagem
da arte em si. Na sua maior parte criticamente conscientes, os artistas
africanos consideraram ter aqui atingido aqueles desafios, e a riqueza
e a acuidade das suas intervenções deixaram a sua própria
marca indelével. Talvez agora possamos começar a abarcar
outras versões de conceptualismo que nem sempre se ajustam aos
regimes rigorosos da arte conceptual ortodoxa, mas documentam as estratégias
multivalentes e as diversas motivações que se escondem por
trás da sua aparência global. Esta secção do
conceptualismo africano deveria pois ser vista como uma fonte para futuras
investigações, que não deixarão de trazer
ao de cima outras práticas de que eu não me terei apercebido.
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Alfabeto da África Ocidental
( Os Bété )
Lápis de cor e esferográfica s/ cartão
1981-94
cortesia de Frédéric Bruly Bouabré
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* Este texto foi originalmente publicado em Philomena
Mariani (ed.), Global Conceptualism : Points of Origin, 1950s-1980s,
no quadro da exposição com o mesmo nome organizada pelo
Queens Museum of Art, Nova Iorque, de 28 Abril a 29 de Agosto de 1999.
Biografia
Okwui Enwezor é deão do Departamento de Assuntos Académicos
e Vice-Presidente do San Francisco Art Institute. Foi Director Artístico
da Documenta 11, em Kassel, Alemanha (1998-2002) e da 2ª Bienal de Joanesburgo
(1996-1997). Desempenha actualmente as funções de Director
Artístico da Bienal Internacional de Arte Contemporânea de
Sevilha, em Espanha.
Foi curador de numerosas exposições, incluindo The Short
Century: Independence and Liberation Movements in Africa, 1945-1994; Century
City; Mirror’s Edge; In/Sight: African Photographers, 1940-Present;
Global Conceptualism; David Goldblatt: Fifty One Years.
Como escritor, crítico e editor, Enwezor tem colaborado regularmente
em numerosos catálogos de exposições, antologias
e revistas. É fundador e director da revista de crítica
de arte Nka: Journal of Contemporary African Art, publicado por
Africana Study Center, da Cornell University, em Nova Iorque. É
autor de vários livros, incluindo: Reading the Contemporary:
African Art, from Theory to the Marketplace (MIT Press, Cambridge
e INIVA, Londres) e Mega Exhibitions: Antinomies of a Transnational
Global Form (Wilhelm Fink Verlag, Munique) e editor da publicação
em quatro volumes de “Documenta 11 Platforms”: Democracy
Unrealized; Experiments with Truth: Transitional Justice and the Processes
of Truth and Reconciliation; Creolité and Creolization; Under Seige:
Four African Cities, Freetown, Johanneburg, Kinshasa, Lagos (Hatje
Cantz Verlag, Stuttgart).
Presentemente, trabalha na ultimação de dois livros –
The Postcolonial Constellation: Contemporary Art in a State of Permanent
Transitions and Archaeology of the Present: The Postcolonial Archive,
Photography and African Modernity – e de dois projectos
de exposição – Snap Judgments: Recent Positions
in Contemporary African Photography e On Governmentality: Techniques and
Technologies of Critique, Dissent, Resistance and Solidarity in Contemporary
Art.
[1] Ima Ebong, “Negritude:
Between Mask and Flag, Senegalese Cultural Ideology and the ‘Ecole
de Dakar’”, in Africa Explores: 20th Century African
Art, ed. Susan Vogel (Nova Iorque; Center for African Art, 1991),
p. 198.
[2] Entrevista com
Issa Samb feita pelo autor, Dakar, Abril, 1998.
[3] Clémentine
Deliss, “7+7=1: Seven Stories, Seven Stages, One Exhibition”,
in Seven Stories About Modern Art in Africa (Paris e Nova Iorque):
Flammarion, 1955), p. 19.
[4] Citado por Ashraf
Jamal em “Willem Boshoff: Blind Alphabet”, in Object
lessons (São Paulo: 24ª Bienal de São Paulo, 1996),
p. 4.
[5] Gerardo Mosquera,
“Important and Exportant”, in Trade Routes: History
and Geography (Joanesburgo e Haia: 2ª Bienal de Joanesburgo, Africus
Institute of Contemporary Art and Prince Claus Fund for Culture, 1997),
p. 270.
[6] Malcolm Payne,
“Fault Lines – Breakwater Conference”, notas do orador
para uma apresentação visual na Conferência de Breakwater,
Cidade do Cabo (inéditas).
[7] Ibid.
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